Com resultados expressivos desde 2022, a rotação de culturas já transforma solos, práticas e desempenho agrícola nas unidades do Grupo
A rotação de culturas chegou ao Grupo Hervalense em 2022, ainda como um projeto-piloto, mas rapidamente se mostrou uma escolha estratégica. A experiência começou na Fazenda Hervalense, na safra 2022/23, e, conforme os primeiros resultados começaram a aparecer, a prática foi ganhando espaço e migrando para as unidades Bacurizal e 7 Placas. Atualmente, 12% da área agrícola do Grupo já trabalha com esse sistema, um avanço que reflete a busca por solos mais equilibrados, menor pressão de pragas e doenças e, claro, maior eficiência produtiva.
A decisão de investir em rotação não surgiu por acaso. Havia um conjunto de fatores que apontava nessa direção: a necessidade de fortalecer a sanidade do solo, de diversificar riscos, de tornar os talhões mais resilientes às oscilações climáticas e também de quebrar a chamada “ponte verde”, que favorece a sobrevivência de pragas e patógenos. Tudo isso, aliado à busca por uma agricultura mais sustentável, pavimentou o caminho para a mudança.
Ao longo desse processo, o Grupo incorporou culturas com funções bastante distintas, entre elas gergelim, soja, milho, mamona, Crotalária spectabilis, Stylosanthes Campo Grande, milheto e Brachiaria ruziziensis. A escolha de cada sequência leva em conta a realidade de cada área: tipo de solo, textura, histórico de produtividade, ocorrência de doenças e até mesmo o comportamento econômico de cada cultura. É um quebra-cabeça técnico que exige sensibilidade, experiência e interpretação de dados para fazer sentido no campo.
Nos últimos anos, a equipe também passou a testar novos modelos, como o consórcio entre gergelim e Brachiaria ruziziensis, um sistema econômico e, ao mesmo tempo, capaz de melhorar significativamente a cobertura do solo. O Grupo avalia ainda o consórcio entre mamona e Brachiaria, ou piatã, em fase inicial de testes, buscando ampliar benefícios em estrutura física, matéria orgânica e manejo integrado.
O acompanhamento de todo o processo é feito pelos gerente técnico-geral e coordenador de agricultura de precisão, Victor Sanches, por Adelsom Schreiber e pelos gerentes das unidades, com apoio da equipe técnica e validação dos diretores de produção Erny Parisenti e Amarildo Christofolli. Esse grupo monitora, de forma contínua, indicadores como produtividade, evolução da matéria orgânica, comportamento da cultura subsequente e até análises de metagenômica, um recurso que revela a diversidade microbiológica do solo. As decisões também se apoiam em ferramentas de agricultura de precisão, como mapas de colheita e análises de solo.
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Caminho promissor
Os resultados confirmam que o caminho escolhido é promissor. A colheita de mamona em sequeiro, por exemplo, alcançou o primeiro lugar em produtividade entre os clientes Bunge/Orígeo no Brasil, um destaque que evidencia o impacto direto das rotações bem planejadas. Houve também redução no uso de herbicidas e aumento da diversidade biológica, indicadores essenciais de saúde do solo.
Mas nem tudo se aprende nos livros, conforme afirma o gerente técnico-geral Victor Sanches. Segundo ele, os principais desafios estão na adaptação aos manejos e às técnicas de cultivo exigidas por cada cultura. Cada etapa, do plantio à colheita, passando pelos tratos culturais e pela comercialização, exige atenção e aprendizado contínuo. “O mais importante é avaliar como cada cultura impacta o sistema como um todo e como contribui para o desempenho das culturas subsequentes”, indica.
O futuro aponta para uma expansão gradual da área em rotação e o aprofundamento de modelos consorciados. A meta é clara: construir sistemas produtivos mais resilientes, eficientes e alinhados a uma agricultura sustentável. “No Grupo Hervalense, a rotação de culturas já ultrapassou o status de prática agronômica e tornou-se uma estratégia de longo prazo que combina ciência, gestão e respeito pela terra”, afirma o coordenador de agricultura de precisão, Adelsom Schreiber.